Biografía

Um pouco da minha história...
Por Herval Rossano


Jamais na minha adolescência havia pensado em entrar na vida artística. Meu sonho era ser advogado ou pertencer à Aeronáutica. A vida me levou para vários empregos pois necessitava ganhar para sobreviver até que, tendo sucesso na venda de livros por reembolso postal fui parar na livraria da Casa do Estudante do Brasil.

De lá, foi um passo para conhecer gente de teatro amador e começar a participar, junto com a Jandira Duque Estrada e Walter Sequeira, de inúmeras peças do Movimento Artístico Beneficente, grupo amador de prestígio na época. O teatro profissional surgiu com a Companhia de Comédias João Rios.

A experiência como contra-regra, maquinista e a oportunidade de fazer pequenos papéis muito me serviu no futuro.

Com esse grupo viajei por todo o interior de São Paulo e aprendi como montar um cenário e arranjar contra-regra. Se apresentava uma peça por dia, todos os dias portanto um cenário novo e contra-regra nova. Aprendi também como fugir de um hotel sem pagar, pois a grana não existia como desejávamos.

Se o início profissional aos 16 anos não foi bom, a paixão havia nascido e me dava a esperança de que de alguma maneira teria que seguir adiante.

O cinema surgia como uma grande oportunidade. O primeiro filme que fiz como atôr foi "LUZES NAS SOMBRAS" numa participação muito pequena, quase como um test. E aos dezessete anos consigo um bom papel no filme "DESTINO", direção de Samuel Markenson, uma história de Paulo Roberto baseada num "Obrigado Doutor" (programa de rádio de sucesso). As portas do cinema aos pouquinhos se abriam, embora ganhando pouco conseguia fazer dois filmes por ano... Foi quando Antônio Olinto me ajudou financeiramente para que eu fosse para São Paulo, onde o centro cinematográfico brasileiro estava localizado... Pouco depois eu estava pertencendo ao cast fixo da Multifilmes, onde fiz alguns filmes sendo galã de Eva Wilma e ao lado de Procópio Ferreira e Maria Vidal, que proporcionava em cada cena a oportunidade de aprender.

Mas a volta ao teatro se fazia necessária, lá fui eu para a companhia da grande Dercy Gonçalves e posteriormente para a companhia teatral da magistral Bibi Ferreira com quem trabalhei até os 22 anos; fui parar até em Portugal, onde fui considerado o galã jovem da moda.

De volta ao Brasil, tive a sorte de trabalhar com verdadeiros magos da arte de fazer teatro de comédias, além de Dercy, Bibi e Procópio, incluía também Eva Todor, Jayme Costa e Alda Garrido.

A televisão entrou na minha vida como a grande paixão. Atuar ao lado de estrelas daquela época como Paulo Porto, Yoná Magalhães, Aracy Cardoso, Delly Azevedo e Lurdes Mayer; em histórias escritas por Ilza Silveira, Aparecida Menezes, Hélio Tyss, Antônio Leite; ser dirigido por Alberto Perez, Carlos Duval, Maurício Sherman, João Loredo, Péricles Leal, Mário Wilson, Mário Brasini e principalmente por Jacy Campos fizeram com que eu, cada vez mais apaixonado pela arte da televisão, dela não quisesse sair. Paralelamente fiz algumas peças teatrais e talvez os filmes mais marcantes da minha carreira cinematográfica, mas a TV era o mais importante... o convívio com um ator que estava envelhecendo, e não sabia fazê-lo, e que durante muito tempo fizera papéis de galã e que a esta altura estava sendo praticamente substituído por mim me fez interessar pela direção. Passei a observar e ficar tratando de assimilar tudo o que aqueles que me dirigiam faziam.

Vem a revolução de 1964, estava casado com uma chilena e pai de três filhos muito pequenos. As mudanças na política e nas diretrizes da televisão brasileira me fizeram partir para o Chile, na tentativa de salvar um matrimônio e buscar algo que eu mesmo não sabia o que era.

De diretor de programação de uma rádio fui trabalhar em pesquisa de mercado e opinião pública. Em pouco tempo passei a liderar o grupo, mas quis o destino que eu voltasse a me envolver com a televisão e logo estava dirigindo programas de grande importância na televisão da Universidade Católica do Chile. A este país devo muito, mas o critério de profissionalismo existente lá me causou alguns problemas no Brasil quando comecei a dirigir as primeiras novelas, criando um mito sobre minha pessoa que na relidade não me acho merecedor. Porém, hoje me sinto gratificado ao ter a honra de ser o diretor brasileiro de televisão com o maior número de novelas vendidas para o exterior, fazendo com que muitos talentos brasileiros sejam conhecidos fora do nosso país.

Nesta longa jornada de vida, principalmente dedicada à televisão, muitas coisas boas aconteceram. Os sucessos de novelas de época como "Escrava Isaura", "Cabocla", "A Sucessora", "Maria Maria", "A Moreninha", o desafio que foi "Dona Beija", a grande audiência que teve o Caso Especial "Na Roda Viva da Vida", a ousadia que me levou a escrever junto com José Antônio de Souza, e dirigir como se fosse uma produção independente, a minissérie "O Portador", que falava sobre o HIV, tema tabu na TV brasileira, e também de alguns episódios do "Você Decide".

Momentos difíceis que armazenaram experiências, a oportunidade de conhecer o comportamento não somente do povo brasileiro mas também do povo chileno e mexicano. O saber que em todos estes anos de vida profissional devo a muita gente pelas oportunidades recebidas e pela experiência adquirida. O fato de ter aprendido que nesta profissão o valor é medido sempre pela última coisa feita, é que me faz ter ainda dentro de mim a mesma inquietude de quando tinha meus dezesseis anos.