O Diretor

Um grande galã da época, que não admitia envelhecer e sofria pois não podia mais fazer o tipo de personagem que fizera sempre, o jovem e bonitão, me trouxe preocupações quanto ao futuro, me aguçando o interesse pela direção, deslumbrado que estava por aquele novo veículo de comunicação. Alguns diretores me chamavam a atenção sendo que Jacy Campos me encantava principalmente por fazer aquelas marcações que a olho nu pareciam ridículas, mas que no vídeo se mostravam de bom gosto e beleza plástica. Era muito comum eu estar com a minha perna entrelaçada nas de outro ator, com a mão esquerda segurando outra pessoa, fazendo um verdadeiro balé, porém nada disso aparecia no ar, por causa da qualidade do enquadramento transmitido ao vivo. O Jacy trabalhava apenas com uma câmera, portanto sem possibilidades de corte e muito menos de edição. Planejava tudo de forma que, mesmo quando o ator atuava com um texto enorme, conseguia que o mesmo trocasse de roupa sem que o público visse ou notasse... era genial !

Comecei minha carreira de diretor produzindo um musical intitulado "UMA PRODUÇÃO MUSICAL DE HERVAL ROSSANO". Não me foi difícil pois cantores de alto nível como Elizeth Cardoso e Altemar Dutra atendiam não somente ao meu convite como aos de minha namoradinha daquela época, a cantora Silvinha Telles, que muito me ajudava na produção. A dramaturgia me atraía e fiz alguns teleteatros que foram felicitados por sua realização, mas não seguiram adiante devido à falta de dinheiro para produzir decentemente, o que levava os profissionais com alguma ambição artística a deixar a querida TV Tupi do Rio de Janeiro.

As dificuldades pelas quais passava a TV Tupi, cuja grande programação era calcada nos programas musicais e humorísticos, me levou à TV Rio. Fui para lá sempre almejando a dramaturgia, mas não era de interesse da emissora competir com a grande produtora de novelas: A TV Excelsior. Casado com uma chilena e pai de três filhos pequenos, perseguido por minha ideologia política, sem estar fazendo o que pretendia, decidi ir viver no Chile. Durante cinco anos lá estive, me realizando como um dos diretores de programas do Departamento de Televisão da Universidade Catolica de Chile. Alí fiz programas como "Antología del Cuento", "El Teatro del Cuento Calaf" e entre muitos outros, "El Litre" em que se me permitiu continuar con a obra iniciada pelo mestre Hugo Miller, ao lado de Alicia Santaella, Jorge Yañez e Sonia Viveros. E tive a oportunidade de aprender de Hugo Miller, Rafael Benavente, Raúl Ruiz, Nestor Castagno, Regis Bartizaghi, Nelson Villagra, Paz Irarrázabal, Shenda Román, Pepe Guixé, Marcelo Romo, Silvia Santelices, Marcelo Gaete e todos aqueles grandes mêstres da televisão chilena cuja historia não poderá ser contada sem menciona-los.

O difícil relacionamento no casamento e as saudades do Brasil, me fizeram retornar ao Rio de Janeiro e partir do zero. Fui convidado a atuar na novela "PIGMALIÃO 70". Como atuar não era o que eu realmente queria, resolvi aprender a arte da "edição", enquanto esperava uma oportunidade. Ainda como ator, participei de "Cuca Legal" e "Fogo sobre Terra" cujo personagem, embora tenha sofrido sérios cortes por parte da censura, me deu bastante prazer em interpretar.

Era 1971 e a A TV Tupi me tinha, então, como Diretor-Geral de Programação. Mas não por muito tempo, já que em 1972 eu já era Diretor de Programação da TV Globo em Belo Horizonte.

1973 me trouxe de volta ao Rio de Janeiro quando a Direção Geral da Rede Globo, entusiasmada com o meu trabalho como responsavel pela programação do canal 12, preocupados por minha saudade por estar fazendo algo que não era da minha total satisfação, e aproveitando que devido ao longo tempo que morei no Chile eu misturava o português como o espanhol, me convidaram para interpretar o papel de um argentino na novela "Carinhoso".

Tive a oportunidade de dirigir novelas que retrataram diferentes aspectos sociais brasileiros. O Rio de Janeiro do século XIX foi, segundo a opinião geral da crítica especializada, magistralmente exposto em "Helena", "O Noviço" e "Senhora".

Os ideais de liberdade foram abordados em "Escrava Isaura"; a luta pela sobrevivência em "O Feijão e o Sonho", e o retrato da típica família brasileira em "Vejo a Lua no Céu".

A Ilha de Paquetá encantou ainda mais a belíssima "A Moreninha", de Joaquim Manuel de Macedo.

E é claro que não posso me esquecer de mencionar os momentos de coragem e alegria exibidos em novelas como "À Sombra dos Laranjais" e "Dona Xepa".



Como diretor de núcleo da TV GLOBO, estive à frente de programas importantes como o "Você Decide" e o "Vídeo Show". Atualmente, estudo a produção de um programa que será veiculado durante o "Fantástico", no qual contaremos algumas histórias que se tornaram conhecidas do grande público por serem os chamados "grandes golpes".